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Comércio intrarregional pode garantir alimentos na mesa de todos

Comércio intrarregional pode garantir alimentos na mesa de todos

Mais da metade dos países da América Latina e Caribe são atualmente importadores natos de alimentos, mas a região tem condições de se autoabastecer e acelerar a luta pela erradicação da fome mediante a cooperação e o comércio intrarregional, aponta um novo estudo da FAO e ALADI

Da FAO

Mais da metade dos países da América Latina e Caribe são atualmente importadores natos de alimentos, mas a região tem condições de se autoabastecer e acelerar a luta pela erradicação da fome mediante a cooperação e o comércio intrarregional, aponta um novo estudo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e Associação Latino-Americana de Integração (ALADI).

De acordo com a publicação, Desenvolvimento do Comércio Intrarregional de Alimentos e Fortalecimento da Segurança Alimentar na América Latina e Caribe, apesar da região produzir muitas vezes acima do que todos os habitantes precisam, grande parte dos alimentos consumidos na América Latina e Caribe vem de outras partes do mundo.

“Isso deixa muitos países em uma situação de fragilidade diante dos altos preços internacionais e as quedas no suprimento de alimentos, já que dependem – em mais, ou menos peso – das importações para alimentar a população, situação que poderia ser outra, caso os governos decidissem potenciar a troca de alimentos” -, explicou o representante regional da FAO, Raúl Benítez.

O estudo revela que 18 dos 33 países da América Latina e Caribe são importadores natos, o que significa dizer que importam mais alimentos do que exportam. Isso inclui quase todos os países do Caribe, e potências agroalimentares como o México, cujas importações anuais de alimentos superaram as exportações, em 3.363 milhões de dólares, entre 2010-2012.

De onde vêm os alimentos da região?

Mais da metade de todas as importações de alimentos da América Latina vem de fora da região (57% em 2012), com os Estados Unidos fornecendo quase um terço delas.

No entanto, a América Latina e o Caribe tem um potencial enorme para assumir essa demanda e que ainda não foi explorada. Em 2010-2012, a região exportou 3,5 vezes a mais de alimentos do que importou o que poderia ter abastecido a totalidade da demanda regional e inclusive restaria uma grande parcela disponível para ser importada para outras regiões.

Os países do Cone Sul são os principais abastecedores do comércio intrarregional de alimentos. A Argentina é o primeiro provedor, com quase um terço das exportações agroalimentares intrarregionais entre 2010-2012 (10.116 bilhões de dólares anuais), seguido pelo Brasil, com pouco mais de 5,7 bilhões de dólares e o Chile, com quase 3 bilhões de dólares.

O Paraguai e o Uruguai superaram os 1.500 bilhões de dólares em média, e o Equador, a Guatemala e a Colômbia exportaram mais de um bilhão de dólares cada um para países da mesma região.

O principal comprador intrarregional de produtos agroalimentares é o Brasil, concentrando 18% das importações da região, seguido do Chile e Venezuela, que registram um pouco mais de 11%, Colômbia (9,9%), Peru (7,6%) e México (6,1%).

COMPLEMENTAÇÕES ENTRE PAÍSES

A publicação da FAO e ALADI analisa a oferta e a demanda por alimentos específicos, mostrando notáveis complementações entre países que se beneficiariam bastante diante de um maior comércio intrarregional.

Por exemplo, enquanto México, Peru, Colômbia, Chile, Equador e Guatemala são importadores natos de trigo que vem de fontes extra-regionais, Argentina, Uruguai e Paraguai são exportadores natos de trigo e destinam parte significativa das exportações aos mercados de fora da região.

O mesmo acontece com o milho, onde Argentina, Brasil e Paraguai têm amplos excedentes exportáveis que poderiam atender a demanda de México, Colômbia, Peru, Venezuela, Guatemala e República Dominicana.

No caso do arroz, Uruguai, Argentina, Guiana, Paraguai e Suriname têm excedentes que vendem para o resto do mundo, enquanto que México, Chile, Peru, Venezuela, Jamaica, Honduras e Nicarágua importam frequentemente de outras regiões.

CELAC ESTIMULA O COMÉRCIO INTRARREGIONAL

Consciente do papel que pode ter o comércio intrarregional para a segurança alimentar, o principal órgão de integração regional, a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC), com o apoio da ALADI, apresentou uma série de ações para estimular esse tipo de comércio como parte do Plano de Segurança Alimentar, Nutrição e Erradicação da Fome, adotado em janeiro de 2015 na Cúpula de Costa Rica.

“Esse plano é um acordo regional único e está fortalecendo os esforços de todos os países para alcançar a completa erradicação da fome em 2005. Uma das vias para a fome zero é o comercio intrarregional”, destacou Benítez.

De acordo com a FAO, a produção e o comércio de alimentos têm sido um dos pilares que tem permitido a América Latina e o Caribe a ser a primeira região a alcançar as duas metas internacionais da fome – a dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a Cúpula Mundial da Alimentação – reduzindo para menos da metade, tanto a proporção, como o número total de pessoas subalimentadas desde 1990-92.

“Se os países conseguirem melhorar a cooperação e fortalecer o comércio intrarregional agroalimentar, poderão conseguir um impacto importante na vida de milhões de pessoas, assegurando que nenhuma mulher, homem, criança ou idoso tenha que passar um dia a mais com fome”, concluiu Benítez.

 

 

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